Sobre o logradouro
Nome anterior: Rua do Jabaquara (Proc. 53.295/43), Rua Linha Ferrea de Santo Amaro (Mapa de 1905) e Rua Carris de Ferro de Santo Amaro.
Distrito: Saúde
Subprefeitura: Vila Mariana
Localização: Começa na Rua Domingos de Morais e termina na Avenida dos Bandeirantes.
História da rua
Jabaquara foi traduzido de diferentes maneiras. Na concepção de Teodoro Sampaio, Jabaquara seria uma corruptela de “yabá-quara” com o significado de refúgio ou esconderijo de fujões, o que levou este autor a simplificar para quilombo, talvez numa alusão ao famoso Quilombo do Jabaquara existente em Santos pelos idos de 1881. João Mendes de Almeida, por sua vez, explica que Jabaquara é uma corruptela de “yâb-a-quár-a” com o significado de buraco, abertura natural em uma rocha, por onde correm as águas de um rio ou ribeirão. Ao mesmo tempo, explicou este autor, por um jogo linguístico, o indígena assinalou nesses rios existência de grandes correntezas. Não por outro motivo, o termo Jabaquara foi empregado inicialmente em cursos d’água.
Observações históricas
A exemplo de outros nomes indígenas presentes na cidade, o termo Jabaquara foi traduzido de diferentes maneiras. Na concepção de Teodoro Sampaio, Jabaquara seria uma corruptela de “yabá-quara” com o significado de refúgio ou esconderijo de fujões, o que levou este autor a simplificar para quilombo, talvez numa alusão ao famoso Quilombo do Jabaquara existente em Santos pelos idos de 1881. João Mendes de Almeida, por sua vez, explica que Jabaquara é uma corruptela de “yâb-a-quár-a” com o significado de buraco, abertura natural em uma rocha, por onde correm as águas de um rio ou ribeirão. Ao mesmo tempo, explicou este autor, por um jogo linguístico, o indígena assinalou nesses rios existência de grandes correntezas. Não por outro motivo, o termo Jabaquara foi empregado inicialmente em cursos d’água, a exemplo do córrego Jabaquara existente entre os municípios de Eldorado e Apiaí, e os dois famosos ribeirões com este nome existente em Santos e em Ilha Bela. Naquelas cidades, a denominação dos ribeirões foi depois ampliada para uma área maior, a exemplo do bairro Jabaquara existente em Santos, e da praia do Jabaquara em Ilha Bela.
No caso de São Paulo, também vamos encontrar o termo Jabaquara denominando inicialmente um ribeirão que, nos séculos XVIII e XIX, foi um dos limites entre São Paulo e o então município de Santo Amaro – este incorporado à Capital como bairro em 1935. Com sua nascente localizada na região de Vila Campestre, o então ribeirão Jabaquara seguia rumo às atuais Vila Santa Catarina, Parque Jabaquara, Brooklin Velho e Campo Belo, Brooklin Paulista e Vila Campestre, desaguando no Rio Pinheiros. Até a década de 1930, e em toda a sua extensão, ele recebia o nome de ribeirão ou córrego Jabaquara. Porém, nas décadas seguintes esse nome foi aos poucos sendo substituído por “córrego Águas Espraiadas”. Em outras palavras, o atual córrego Águas Espraiadas é o antigo ribeirão Jabaquara, cujo nome foi utilizado depois para um grande parque, para uma avenida e mesmo para um bairro inteiro, não obstante o mesmo ter perdido o seu sentido original que foi o de denominar um curso d’água.
Apesar de já conhecido desde o século XVIII, as primeiras menções ao ribeirão Jabaquara apareceram pela primeira vez na documentação oficial de São Paulo pelos idos de 1883. Naquela ocasião, discutia-se sobre o melhor local para a construção do novo matadouro da cidade e uma das indicações recaiu justamente na chamada “Várzea de Santo Amaro, próximo ao ribeirão Jabaquara, ao lado da projetada linha de bondes da Vila de Santo Amaro, distante da cidade dez km mais ou menos” como escreveram os vereadores no dia 19/09/1883. Posteriormente, essa ideia foi abandonada em favor de Vila Mariana/Vila Clementino, onde de fato o novo matadouro foi construído e inaugurado em 1887.
No início do século XX, o rico comerciante italiano Antonio Cantarella adquiriu grandes áreas na então Várzea de Santo Amaro, sendo uma delas ao lado do ribeirão Jabaquara que destinou para a criação de um parque. Em setembro de 1910 o empreendimento foi apresentado aos convidados e à imprensa paulistana que publicou diversas matérias elogiosas à nova área de lazer da cidade. No dia 14/09/1910, por exemplo, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma grande reportagem sobre o parque Jabaquara, que possuía impressionantes 2.500.000 m2 de área total, 10 km de perímetro e 30 km de alamedas e ruas internas para passeios. Nessa mesma matéria, um parágrafo em especial esclareceu a origem do nome do parque: “Dá nome ao lugar o rio Jabaquara, que o circunda em grande extensão ao fundo (...).”
No dia 03 de dezembro de 1910, e já com o parque em funcionamento, o então vereador José Oswald (pai do escritor Oswald de Andrade) solicitou ao prefeito que se fizessem estudos para a abertura de uma estrada que a partir do Bosque da Saúde deveria seguir até o Parque Jabaquara. Esta, portanto, foi a primeira menção à futura Avenida Jabaquara cujo tema seria retomado oito anos depois, mais exatamente no dia 28/09/1918, quando o vereador Marrey Júnior apresentou o seguinte Requerimento: “Peço à mesa se digne oficiar à Prefeitura requisitando os papeis que se acham na diretoria do patrimônio referentes à abertura de uma avenida ligando o bairro da Saúde ao Parque Jabaquara, empreendimento que me parece de grande valor e interesse para o município.” Ao completar seu pedido, o vereador argumenta: “Estou informado de que o sr. Antonio Cantarella – a quem a cidade muito deve pelo seu espírito de iniciativa e embelezamento – possui elementos que tornam viável a abertura daquela avenida.” Em outras palavras, o vereador informava que o proprietário do Parque Jabaquara, Antonio Cantarella, auxiliaria na abertura da Av. Jabaquara, tanto na cessão dos terrenos necessários ou no acordo com outros proprietários, bem como também se responsabilizaria por eventuais despesas, conforme ficou claro através de um relatório apresentado à Câmara no dia 22/03/1919. A partir de então, as obras foram aceleradas e no dia 15 de março de 1923 foi publicado o Ato nº 1.966 em que a Prefeitura legalizou um trecho da avenida aberta entre a Rua Domingos de Morais e o Parque Jabaquara, dando-lhe a denominação de Avenida Jabaquara.
Entre 1925 e 1930, o empresário Antonio Cantarella loteou várias áreas de sua propriedade e dentre elas estava o bairro de Mirandópolis. Ao mesmo tempo, ele projetou os loteamentos da Vila Jabaquara e do Parque Jabaquara, este justamente ocupando o perímetro do famoso parque que deixaria de existir.
O nome Jabaquara, que correu o risco de desaparecer, foi mantido na malha viária da cidade graças aos esforços do empresário Antonio Cantarella que, a partir do ribeirão, aplicou este nome ao Parque e depois à grande avenida que ajudou a abrir.
Fontes: Teodoro Sampaio, “Tupi na Geografia Nacional”, Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, 1901; João Mendes de Almeida, “Dicionário Geográfico da Província de São Paulo, SP, Tip. Espindola, Siqueira & Cia. 1902; O Estado de São Paulo de 14/09 e 28/10/1910.
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
ATO nº 1.966
1923-03-15
Decreto 1.827/52, trata prolongamento do logradouro. Decreto 15.635, de 17 de janeiro de 1979 que institui a lista de denominações oficiais do município confirmou esta denominação com atualização da grafia. Processos administrativos: 187.204/1918, 188.468/1918, 135.980/1916, 214.326/1919 e 155.311/1916.
