Praça Embaixador Raymundo Souza Dantas
Conheça a história deste logradouro de São Paulo.
Sobre o logradouro
Distrito: São Mateus
Subprefeitura: São Mateus
Localização: o remanescente do espaço livre "14M" delimitado pelas ruas Titânia, Nebulosa, por escola de primeiro grau, minibalneário e posto de saúde, no Distrito de São Mateus, Subprefeitura de São Mateus.
História da rua
Jornalista, escritor e funcionário público federal, tendo exercício as funções de Embaixador do Brasil na República de Gana, Raymundo Souza Dantas, o primeiro diplomata negro do país, iniciou sua vida profissional como tipógrafo, no jornal A ESTÂNCIA - cidade onde nasceu, a 11 de janeiro de 1923, no interior de Sergipe. Filho de Reis Café Souza Dantas e Porfíria Conceição Dantas, Raymundo e mais dois irmãos foram criados pela mãe, que, vivendo com os filhos em uma das regiões mais empobrecidas de Estância, garantia a subsistência da família trabalhando como lavadeira. Após a infância vivida em meio à miséria e a muitas dificuldades-incluindo-se, particularmente, as sofridas e frustradas tentativas de aprendizado da leitura e escrita -, aos 16 ou 17 anos, Raymundo chegou a atuar como revisor em Aracaju, no Jornal de Sergipe; mas seu penoso processo de alfabetização só se concretizou, de fato (como ele mesmo narrou detalhadamente no livro Um Começo de Vida¹), no Rio de Janeiro, para onde fugiu no início da década de 40. Em 1944 passou, finalmente, a desempenhar as funções de redator, no Grande Consórcio de Suplementos nacionais. No mesmo ano, lançou o seu primeiro livro: Sete Palmos de Terra. Como escritor, além de colaborar em revistas e outras publicações literárias, também publicou os seguintes livros: Agonia (contos), em 1945; Solidão nos Campos (romance), em 1949; Vigília da Noite (novela), em 1949; O Lado da Sombra (novela), em 1961; e África Difícil, sobre sua experiência à frente da Embaixada, em Gana. Tem ainda publicadas várias conferências que pronunciou acerca de assuntos africanos, notadamente sobre as comunidades brasileiras na África e sobre literatura africana. Como jornalista profissional, fez parte das redações de A Noite, Diário Carioca, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, trabalhando também na Secretaria de Departamento de Radio jornalismo da Rádio Nacional. Integrou a Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa, como assessor especial, atuando, ainda, como debatedor do programa de entrevistas Sem Censura. Como funcionário público federal, foi Assistente de Educação e Técnico de Assuntos Educacionais, cabendo-lhe organizar no antigo Ministério da Educação e Cultura o Setor de Relações Públicas, em 1968. Chefiou, ainda naquele Ministério, os setores de Imprensa e e Divulgação. Integrou no mesmo ano a comissão para criação de serviços educacionais nos museus; foi membro do Conselho Nacional do Cinema, em 1970; e compôs, nos anos 80, o Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro. Nas primeiras semanas do mandato do Presidente Jânio Quadros, Souza Dantas (como gostava de se identificar) foi nomeado oficial de gabinete da Presidência; e foi indicado, alguns meses antes da renúncia, para uma missão diplomática em Gana² - onde exerceu, de 1961 a 1964, as funções de Embaixador do Brasil na referida república (cumulativamente com o Toga e o Daomé). Sobre mais essa surpreendente e especial fase de sua vida, Souza Dantas oferece um precioso relato no livro África Difícil. Nele foram registradas suas pesquisas e contatos com os descendentes de escravos repatriados no Brasil, bem como foram narradas as inúmeras dificuldades de sua experiência diplomática³ Com esse livro, Souza Dantas divulgou, ainda, seus estudos sobre uma comunidade fundada por brasileiros em Acra - disponibilizando um importante trabalho de documentação sobre aspectos da história afro-brasileira. E 1966 integrou o I Festival de Artes Negras, em Dakar, representando o Brasil; e em 1967 participou do II Congresso das Comunidades Negras de Cultura Portuguesa, realizado em Moçambique. Condecorado com a Medalha do pacificador; Oficial da Ordem Nacional do Senegal; Medalha Silvio Romero; e Medalha Santos Dumont, Raymundo Souza Dantas morreu no Rio de Janeiro em 8 de março de 2002, aos 79 anos. Deixou a viúva Idoline Botelho Souza Dantas (falecida em 24 de novembro de 2003), três filhos, Roberto, Isa e Miguel.
Fonte: Justificativa / Projeto de Lei nº 813/05, da Vereadora Claudete Alves.
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
LEI nº 14.407
2007-05-22
Projeto de Lei nº 813/05, da Vereadora Claudete Alves.
