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Praça Imperatriz Thereza Christina Maria

Conheça a história deste logradouro de São Paulo.

Sobre o logradouro

Distrito: Jardim São Luis

Subprefeitura: M'boi Mirim

Localização: Delimitado pela Avenida Guido Caloi, Ponte João Dias e Alça de Acesso sem denominação entre a Avenida Guido Caloi e a Ponte João Dias, no Distrito de Jardim São Luís, Prefeitura Regional de M?Boi Mirim.

História da rua

Thereza Christina Maria de Bourbon, esposa de D. Pedro II, representa um enigma e uma grave lacuna na historiografia. Irmã de Ferdinando II de Bourbon, soberano do "Reino de Nápoles" ou "Das Duas Sicílias", como também se dizia, ela nasceu em 14 de março de 1822; chegou ao Brasil em 1843, depois de ter casado com D. Pedro II na capital napolitana em 30 de maio daquele ano, por procuração; morreu no exílio a 28 de dezembro de 1889, na cidade do Porto.

Alcunhada por seus contemporâneos de "Mãe dos Brasileiros", e pouco estudada no Brasil comparado com o que já se escreveu sobre nossas duas outras imperatrizes - Leopoldina e Maria Amélia, esposas de D. Pedro I - muito pouco se falou sobre Thereza Christina, apesar de ter vivido por quase meio século em terras brasileiras.

A imagem da Imperatriz, retratada ao longo da história é o mais puro modelo de mãe dedicada à educação das filhas Isabel e Leopoldina e esposa abnegada, que compensa com a bondade e as virtudes do coração, a falta de maiores atuações sócio-político-social. Assim, estavam definidas as coordenadas que ficariam registradas nos textos biográficos e no sentimento popular. Entretanto, referências ao gosto pele arte, em seus vários segmentos, desta Imperatriz silenciosa, mas observadora, deve ser enaltecido, pois a cultura napolitana deste período, brilhou nos diversos campos do pensamento, da pesquisa, da expressão artística. Em 2005 o "Museu Nacional" realizou a exposição Afrescos de Pompéia. A beleza revelada, apresentando numerosas peças de antiguidades pompeianas e etruscas, iniciativa da União Latina.

A partir de então, o público pode desfrutar parte significativa do notável patrimônio arqueológico chegado ao Brasil graças a Thereza Christina. Tal coleção, contando com mais de 700 itens, é a maior do gênero na América Latina. Etapa obrigatória no "Grand Tour" dos intelectuais da época, a cidade natal da Imperatriz foi uma das cidades europeias mais avançadas no século XVIII. Os Bourbons, entre outras iniciativas, atenderam com especial empenho às escavações de Herculano e Pompéia, cujos achados foram enriquecendo o acervo do Real Museu Borbonico de Nápoles. Thereza Christina cultivou a paixão pela arqueologia desde a infância; quando se mudou para sua nova terra, ela trouxe na bagagem, como parte do dote, numerosas peças antigas. A exposição de 2005, realizada no palácio em que a Imperatriz passou boa parte da sua vida, revela, para além da beleza das peças expostas, uma faceta desconhecida desta mulher, à qual a história injustamente atribui escassa sensibilidade pela cultura, enquanto o augusto consorte é conhecido como "O Rei Filósofo". Uma possível explicação da falta de estudos sobre as atividades arqueológicas da "Mãe dos Brasileiros" é uma certa dificuldade em encontrar as fontes documentais. Curiosamente, os diários de Thereza Christina contêm escassas referência a este campo; também nas cartas enviadas e recebidas pela soberana o assunto aparece em pouquíssimos casos.

Mesmo assim, o descuido dos pesquisadores não se justifica, por este aspecto da personalidade da imperatriz é comprovado em arquivos brasileiros e italianos. Se a arqueologia foi, sem dúvida, o seu principal campo de ação, Teresa Cristina cultivou interesses também em outros setores. É conhecida a sua paixão pela música e o canto. Considerado apenas como um fato pessoal, quase um elemento de folclore ligado às origens napolitanas da Imperatriz, este traço da sua personalidade deve ser avaliado numa perspectiva sociológica mais ampla, dentro do contexto dos simbolismos mais marcantes na vida do Brasil da segunda metade do século XIX. O próprio Machado de Assis dedicou, em suas crônicas, páginas belíssimas a uma dessas musas, a soprano Carlotta Augusta Candiani que, dizia ele, "não cantava, punha o céu na boca".

A Candiani havia chegado ao Rio em de 1843, poucos meses depois de Teresa Cristina, como "prima-donna" da "Compagnia Italiana d' Opera", conquistado o público carioca, tornando-se uma grande estrela sob a proteção dos soberanos. Nos diários da Imperatriz, o nome da Candiani aparece frequentemente, assim como o de outras celebridades.

Thereza Christina colocou um forte marco de italianidade neste processo. Dentro desta perspectiva, compreende-se melhor o sentido da operação de política cultural realizada no caso de Carlos Gomes: sabe-se, pois, que D. Pedro queria que ele fosse estudar na Alemanha, mas foi a imperatriz quem insistiu e obteve que ele estudasse em Milão.

Contudo, a avaliação da obra de Thereza Christina não pode ficar restrita ao campo artístico, pois ela influenciou significativamente a composição dos fluxos migratórios.

Para melhorar a situação da saúde pública e do ensino, ela conseguiu facilidades para que viessem para a corte brasileira muitos italianos médicos, engenheiros, professores, farmacêuticos, enfermeiras, artistas, artesãos e trabalhadores qualificados.

Começaram a chegar, também, trabalhadores braçais e agricultores, que possibilitaram em 1847 a criação da Colônia Vallones dos Reados, a primeira colônia italiana no interior da Província.

O Rio de Janeiro tornou-se, graças às iniciativas de Thereza Christina, o ponto de partida e chegada de inúmeras travessias entre os dois lados do oceano, nos campos da música, da literatura, do teatro, das artes plásticas, com evidentes implicações políticas e sociais.

Desta forma, tomará uma nova configuração, em termos histórico-culturais, também a atuação dos numerosos italianos que animaram a cena carioca no fim do século XIX e inicio de XX, dos quais se deve reconhecer o contributo extraordinário na modernização da cidade.

Oriundos em boa parte do sul da Itália, terra de origem de Thereza Christina, eles se assinalaram em todos os setores da vida social. Ao lado de empresários que fizeram sucesso e dinheiro, como os irmãos Antônio e Giuseppe Jannuzzi, estavam os habilidosos Scapellini, chegados da pequena cidade de Foscado, na Calábria, assim como os trabalhadores da citricultura e da produção de carvão que atuaram na atual Baixada Fluminense; os operários do complexo têxtil da Gávea Fabril, onde

uma rua era chamada "Baixa Itália", hoje Pacheco Leão, entre outros acontecimentos.

Enquadrada assim, através da Imperatriz, a raiz cultural dos que chegaram ao Brasil da antiga "Magna Grécia", será mais completa a apreciação da obra de muitos artistas.

Reconstruir a biografia intelectual de Thereza Christina significa definir os limites de uma renovada geografia das relações entre dois povos e duas culturas que são tão distantes entre si no espaço, mas tão próximas nas suas raízes comuns seculares.

Com base neste panorama histórico, pode-se dizer que o Segundo Império foi um momento decisivo na construção do sistema de relações políticas, sociais e culturais entre Brasil e Itália, o período em que as numerosas e esparsas influências italianas deixaram de ser episódicas para se tornarem sistêmicas. Neste quadro, a figura da Imperatriz destaca-se como discreta, mas fundamental aglutinadora de forças, ideias e perspectivas.

Em consequência de todo o exposto, esta oficialização de denominação do logradouro público trata de um resgate da memória de nossa história, onde fatos relevantes a marcaram.


Logradouro oficializado através da Lei nº 16.851, de 09 de fevereiro de 2018.

Projeto de Lei nº 420/16, do vereador David Soares.

Localização no mapa

Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.

Legislação

LEI nº 16.851

2017-02-09

Projeto de Lei nº 420/16, do vereador David Soares.

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