Sobre o logradouro
Nome anterior: parte do espaço livre 9M do croqui patrimonial 100.544
Distrito: Ermelino Matarazzo
Subprefeitura: Ermelino Matarazzo
Localização: Delimitado pela Av. Boturussu, pelo prolongamento natural da Rua João Spinola Carneiro Filho e por lotes particulares,
História da rua
Tereza de Benguela, líder do quilombo do Quariteré em Vila Bela da Santíssima Trindade, Vale do Guaporé, há aproximadamente 548 km da capital do Mato Grosso, Cuiabá. Tereza era conhecida pelos portugueses da época como uma "africana de Angola" e recebeu este nome por ter embarcado no porto de Benguela, a região em que vivia antes da escravização. O Quilombo do Piolho, ou do Quariteré, era constituído por africanos e populações mistas, compostas por índios e caborés, fugidos das Novas Minas das lavras de Mato Grosso, escravizados rebelados. O reduto abrigava uma população de quase trezentas pessoas governadas por José Piolho, e após a sua morte, foi substituído por sua mulher Tereza, conhecida como "Rainha Tereza". Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entrava os deputados, sendo o de maior autoridade, tipo por conselheiro, José Piolho, escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais, Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executava à risca, sem apelação nem agravo.” (Anal de Vila Bela do ano de 1770). Após ser capturada em 1770, o documento afirma: "em poucos dias expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e exemplo dos que a vissem". Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram -mesmo assim, em 1777 foi novamente atacado pelo exército, sendo extinto em 1795. No dia 25 de julho, celebra-se uma conquista dos movimentos negros e de mulheres negras brasileiras, onde pela primeira vez, em 2014 foi comemorado o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei 12.987, sancionada no dia 2 de junho deste ano. Até a sanção da lei, o Brasil era o único país da América Latina que não comemorava oficialmente, em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. O nome é segundo a ex-senadora e autora do texto, Serys Slhessarenko, uma forma de criar um ícone para as mulheres negras do país. O dia da Mulher Negra, quilombola, Latino - Americana fica ao povo brasileiro como herança e reconhecimento de exemplos como o de Tereza de Benguela, e tantas outras mulheres negras e camponesas, que lutaram e lutam ainda hoje contra o racismo e o machismo, e são essenciais no combate ao preconceito, à discriminação, à desigualdade e à violência, em prol da construção de uma sociedade mais justa.
Observações históricas
Homenagem à uma das mulheres mais importantes da história do país, reconhecida inclusive internacionalmente por sua luta contra a escravidão no Brasil. Teresa de Benguela, ou Rainha Tereza de Quariterê, viveu no século XVIII no Vale do Guaporé, Mato Grosso. Foi chefe do Quilombo do Quariterê, onde organizou um sistema de defesa contra os ataques de capitães do mato. Organizou mais de 100 pessoas em seu quilombo, a partir de agricultura de subsistência, produção de algodão para roupas e sistema parlamentar de organização política.
A importância de Tereza de Benguela já foi reconhecida nacionalmente, ao se decretar 25 de julho o Dia Nacional da Mulher Negra e Dia de Tereza de Benguela.
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
LEI nº 17.205
2019-10-18
PROJETO DE LEI Nº 245/17, DO VEREADOR QUITO FORMIGA
