Sobre o logradouro
Nome anterior: Travessa ''Sebastião Pereira''
Distrito: Santa Cecília
Subprefeitura: Sé
Localização: Começa na Rua Sebastião Pereira e termina na Rua Frederico Abranches.
História da rua
Pedro Ramos Nogueira, o Barão de Joatinga, nasceu na fazenda Loanda na cidade de Bananal (SP) a 23 de novembro de 1823, sendo filho do major José Ramos Nogueira e de Domiciana de Almeida. Tendo em vista a proximidade de Bananal com o Rio de Janeiro, a família Ramos Nogueira era proprietárias de fazendas nos dois Estados. Seus estudos foram realizados no Colégio Pedro II e, em 1841, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas não concluiu o curso por motivos de saúde. Interessou-se pela política ainda nos bancos escolares, ocasião em que se colocou ao lado dos liberais. Data desse período, ainda no Colégio Pedro II, a sua liderança num movimento estudantil cerrando fileiras ao lado dos liberais. Posteriormente, e já em Bananal, administrou suas propriedades e passou a fazer parte do Partido Conservador. Em 1857 foi nomeado para o cargo de inspetor da instrução pública e no ano seguinte foi eleito para o cargo de vereador. Nesse mesmo ano foi indicado para exercer o cargo de delegado de polícia, tendo permanecido nesta função até 1860, retornando depois em 1868 e 1872. Seu filho, Pedro Ramos Nogueira Jr., também exerceu o cargo de delegado de polícia de Bananal em 1877. Recebeu o título de Barão de Joatinga por Decreto de 28 de março de 1877, sendo que nesta mesma ocasião fez a doação de 10:000$000 Réis para a construção de uma escola em Bananal: A esse respeito escreveu o jornal “Echo Bananalense” em 1877:
“Consta-nos que foi agraciado com o título de Barão de Joatinga o distinto cidadão o exmo. snr. Pedro Ramos Nogueira, proprietário e capitalista deste município. Foi mais um ato de inteira justiça emanado de nossa excelsa princesa regente, galardoando os mais importantes e relevantes serviços prestados por aquele cidadão a causa do país em todas as emergências em que se tem achado. Em verdade o exmo. snr. Pedro Ramos Nogueira, membro de uma das mais consideradas famílias d’este Município, nunca poupou sacrifícios de qualquer natureza para o engrandecimento de nosso país, sempre que se tem tornado preciso apelar-se para o seu civismo e patriotismo. Dando esta feliz noticia felicitamos ao nosso digno conterrâneo o exmo. snr Pedro Ramos Nogueira e à toda sua nobre familia”.
Com respeito à atuação de Pedro Ramos Nogueira como delegado de polícia de Bananal, encontramos a seguinte citação nos Anais da Assembleia Provincial de São Paulo:
“... Aí está o Sr. Pedro Ramos Nogueira, atual delegado de polícia, que ainda não teve contra si uma só queixa, apesar da calamidade que nossos adversários pretendem levantar a esta presente situação.”
Um único acontecimento que encontramos e que poderia depor contra a atuação do Barão de Joatinga, foi um rumoroso caso de tráfico ilegal de escravos ocorrido no porto de Bracuhy, próximo da cidade de Angra dos Reis. Num rápido retrospecto, lembramos que a primeira Lei proibindo o tráfico de escravos para o Brasil datava de 1831, a Lei Feijó, que, entretanto não foi seguida. A segunda Lei, de 1850 – a chamada Lei Eusébio de Queirós, foi aplicada com mais eficácia, não obstante as constantes burlas. E foi justamente esse o caso ocorrido em Bracuhy no dia 11 de dezembro de 1852, ocasião em que ocorreu o desembarque ilegal de 540 africanos do navio americano “Camargo”. O desembarque ocorreu nas terras da família Souza Breve, mas a polícia agiu rapidamente e prendeu diversos traficantes. Posteriormente, o processo que se abriu arrolou muitos fazendeiros da região, incluindo o principal deles, o comendador Joaquim José de Souza Breves e outros como o major Antonio José Nogueira, o comendador Manuel de Aguiar Vallin, o major Antonio José Nogueira, o comendador Luciano José de Almeida (sogro de Pedro Ramos Nogueira) e o próprio Pedro Ramos Nogueira. Entre idas e vindas do processo, no final todos os fazendeiros foram absolvidos. No caso específico de Pedro Ramos Nogueira, futuro Barão de Joatinga, alegou-se que o mesmo não estava envolvido nesse caso, mas sim o seu sogro. Conforme publicou-se na época:
“A que veio a história de Bracuhy? Quem há aí que ignore que o Sr. Pedro Ramos foi envolvido indevida e injustamente no processo dessa questão só porque era genro do falecido comendador Luciano José de Almeida, com quem morava? Mas foi absolvido unanimemente no júri, porque não havia a menor prova no processo contra ele...”
No que tange ao trato com seus escravos, encontramos uma notícia publicada no jornal carioca “A Reforma” do dia 07/10/1871:
“Somos informados das seguintes manumissões: (...) O Echo Banalense noticia que o Sr. Pedro Ramos Nogueira libertou dez escravos, dando-lhes terras e tratamento. O mesmo Sr. Pedro Ramos forneceu por empréstimo, a dois escravos alheios, a precisa quantia para se libertarem”
Posteriormente, em 1878, e diante da tragédia verificada com a seca no Ceará que se estendeu de 1877 a 1879, o Barão de Joatinga contratou 46 retirantes para a sua fazenda em Bananal conforme anunciou a imprensa naquela ocasião:
Diário do Rio de Janeiro de 15/06/1878: “Emigrantes cearenses – O sr major Novaes, fazendeiro na província de S. Paulo, acaba de levar para sua fazenda cerca de 200 cearenses, emigrantes, entre os quais muitos doentes e crianças. O Sr. barão de Joatinga contratou 46 desses mesmos retirantes para a sua fazenda no Bananal (...)”
A Província de São Paulo de 14/06/1878: “Cearenses contratados – (...) O sr. barão de Joatinga contratou 46 dos mesmos retirantes para a sua fazenda no Bananal e o Sr. Prudencio Brandão 52 para a sua fazenda em Cataguases.”
O Barão de Joatinga foi casado com Placidina Maria de Almeida e teve três filhos: José Luiz de Almeida Nogueira, Pedro Ramos Nogueira Jr. e Domiciana de Almeida Nogueira. Pedro Ramos Nogueira faleceu no dia 07 de janeiro de 1885.
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
ATO nº 139
1931-04-11
