Sobre o logradouro
Nome anterior: Trechos das Ruas 5 e 3.
Bairro: Jd. Teresa
Distrito: Brasilândia
Subprefeitura: Freguesia / Brasilandia
Localização: Começa na Rua Patrice Lumumba e termina na Rua Expedito Armando Cardoso de Melo.
História da rua
Carlos Lamarca foi um capitão do Exército que abandonou a farda para liderar a luta armada contra o regime militar. Sua trajetória encerrou-se em 17 de setembro de 1971, no sertão da Bahia, onde foi executado ao lado do militante José Campos Barreto, o Zequinha. Antes de entrar para a clandestinidade, Lamarca construiu uma carreira militar brilhante: filho de sapateiro, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras, serviu nas Forças de Paz da ONU em Suez e era reconhecido como exímio atirador. No entanto, seus ideais nacionalistas e a aproximação com o pensamento de esquerda culminaram, em janeiro de 1969, na sua deserção do quartel de Quitaúna, de onde saiu levando dezenas de fuzis para armar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
Na clandestinidade, Lamarca protagonizou ações de grande repercussão, como o sequestro do embaixador suíço e a resistência ao cerco no Vale do Ribeira, em 1970. Nesta ocasião, liderou um pequeno grupo que rompeu um cerco de milhares de soldados, episódio marcado pela morte do tenente da PM Alberto Mendes Junior, fato explorado exaustivamente pela propaganda do regime. Já em 1971, integrado ao MR-8, Lamarca deslocou-se para a Bahia com o objetivo de estabelecer uma base rural, acompanhado por Zequinha, um ex-líder operário de Osasco e antigo seminarista, cuja família na região sofria violenta perseguição das forças de segurança.
O desfecho de ambos ocorreu durante a Operação Pajuçara. Após caminharem 300 quilômetros pela caatinga, doentes e famintos, Lamarca e Zequinha foram localizados descansando sob uma árvore. A versão oficial da época, que alegava morte em tiroteio, foi desmentida décadas depois pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP).
A análise dos restos mortais, exumados em 1996, e a revisão dos relatórios comprovaram que não houve resistência armada: Zequinha foi metralhado ao tentar fugir, e Lamarca, fisicamente esgotado, foi executado com vários tiros, inclusive pelas costas, quando já não oferecia perigo. O Estado, que tinha total controle da situação e poderia ter efetuado as prisões, optou pelo extermínio dos militantes, cujos corpos foram posteriormente expostos publicamente como troféus de vitória sobre a guerrilha.
Saiba mais no final da página em "Memorabilia"
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
DECRETO nº 31.230
1992-02-13
