Sobre o logradouro
Nome anterior: Rua Ceres
Bairro: Pq. D. Pedro II
Distrito: Sé
Subprefeitura: Sé
Localização: Começa na Rua Barão Duprat e termina na Avenida do Estado.
História da rua
Assad Abdalla Haddad, nasceu em Homs - Síria, em 1870. Em 1895, aos 25 anos, devido à difícil situação econômica em seu país, emigra para São Paulo, com seu primo Nagib Salem e outros conterrâneos. Começa a mascatear, por conta de patrícios, carregando nas costas a grande caixa, cheia de armarinhos, chamando os fregueses ao som da matraca, pelas ruas da Penha, Santana e arredores. Meses depois, tanto Assad como Nagib já trabalhavam por conta própria.
Com quase 30 anos, constitui a firma Assad Abdalla & Cia, composta dos sócios Nagib Salem, do primo Nagi Haddad e do sobrinho Salim Salomão. Montam duas lojas, uma na 25 de março e outra na Rua João Alfredo, atual General Carneiro. Em fins de 1902, a sociedade com o primo Nagib e o sobrinho se desfaz e nova firma se constitui: a Assad Abdalla e Nagib Salem.
Aos 33 anos, em 14 de fevereiro de 1903, casa-se em São Paulo, com a prima Corgie Haddad, de 22 anos, irmã de Nagi, que a “encomendara” vinda de Homs.
Em 1906 Assad e o sócio resolvem criar um fundo de reserva, para a aquisição e construção de imóveis em geral. Assim, neste mesmo ano foi adquirida a primeira propriedade: a casa onde nasceu Nabih, na rua São Lázaro, travessa da São Caetano.
Em 1907 foi comprada uma casa com chácara na rua da Consolação, onde em 1909 nasceu Wagih. Neste mesmo ano, foram compradas duas lojas na 25 de março, que foram demolidas, e em 1910, no número 141, hoje 595, foi construída a sede da firma Assad Abdalla e Nagib Salem, a abreviatura AA&NS, – como pode ser vista na foto abaixo -, ainda hoje permanece no prédio da Rua 25 de março.
No pavimento superior, moravam as duas famílias (Abdalla e Salem). Foi nesta casa que nasceram todos os outros filhos. O casal teve 10 filhos: Nabiha, Nabih, Wagih, Wagiha, Josephina, Malvina, Helena, Rosinha, Ernesto e Odette. Assad sempre dizia que devia a esposa grande parte de seu sucesso.
Em 1912, obedecendo ao princípio de retirar anualmente metade dos lucros e aplicá-los em imóveis, Assad e Nagib compram na periferia de São Paulo, na região do Tatuapé, cerca de um milhão de metros quadrados. As ruas foram abertas em 1914, com dezesseis metros de largura, retas e planas, com o escoamento perfeito da água.
A venda ao Corinthians, de uma área de 45.000 metros quadrados, se deu em 18 de agosto de 1926, por 750 contos de réis, a ser pago em 12 anos.
Em 1932 desfaz a sociedade com Nagib Salem. Em 1936 compra uma fábrica de fiação e tecelagem na cidade de Salto de Itu e, em 1941 funda em São Paulo as Indústrias Santa Virgínia de Fiação e Tecelagem. Em fins de 1945, compra em Niterói, no Rio de Janeiro, a Companhia Manufatura Fluminense de Tecidos.
Ao longo dos anos, a família de Assad Abdalla ampliou sua atuação em outros segmentos. Fundou a Industria York S/A, que produzia produtos cirúrgicos e plásticos, que foi em 1977 unida à Têxtil Assad Abdalla, formando a York S.A. Indústria e Comércio.
Com o falecimento de Assad, seu filho Nabih herdou a propriedade da Rua 25 de março, mas, como era industrial e não comerciante, alugou o imóvel até 1966, quando então seu filho Assad aí se instalou, criando a Doural, que lá permanece até hoje.
A avenida Paulista entrou na vida dos Abdalla no início da década de 1920. Em 1921, Abdalla adquire uma propriedade na Avenida Paulista, 65, atual número 1636, e transfere a residência da família da Rua 25 de Março para o novo endereço, consolidando assim a sua ascensão social.
A casa foi comprada de Feliciano Lebre, que tinha uma loja muito fina na Rua Direita. Quando o Sr. Assad Abdalla comprou o imóvel, o arquiteto Malta o reformou. A Sra. Corgie Haddad Abdalla, viúva do Sr. Assad Abdalla, morou lá, até o seu falecimento em 1970.
A família, e seus descendentes, viveram e conviveram na casa por quase 50 anos. A decisão de demolição foi dada pelo engenheiro Ernesto Assad Abdalla, herdeiro da propriedade, com o falecimento de sua mãe, Dona Corgie, em 1970. O imóvel sofreu uma parcial permuta para a Gafisa pelos idos 2010.
O seu espírito benemérito foi outra característica marcante na vida de Assad Abdalla, como podemos ver no livro comemorativo, que descreve que “além da vida familiar e empresarial, Assad, profundamente religioso, incentivou projetos da colônia síria nas áreas educacional, religiosa, recreativa e social, fazendo doações importantes ou liderando coleta de fundos”.
Em 1943/1944 fez ao Clube Homs uma grande contribuição para a aquisição da sede da Avenida Paulista e, em 1948, fez a doação da biblioteca, que leva o seu nome.
Na Catedral Ortodoxa, em 30 de maio de 1943, faz a colocação da pedra fundamental; como sendo o maior contribuinte e um grande arrecadador de recursos para a sua construção, que premia a cidade com sua imponência e beleza arquitetônica.
Em 1929, para o Orfanato Sírio, hoje Lar Sírio Pró-Infância, viabilizou a construção de três casas para aluguel, com renda convertida para a instituição e, em 1935, foi responsável pela doação do “Pavilhão Central” e, ainda, em 1948, fez a doação da Escola Assad Abdalla.
Assad faleceu em São Paulo, no dia 21 de abril de 1950, aos 80 anos de idade, foi sepultado no Cemitério da Consolação.
Observações históricas
COMENDADOR ASSAD ABDALLA - Filantropo, nasceu em Homs, Síria, em 20 de março de 1870. Chegou ao Brasil em 15 de dezembro de 1895. Persistente e dedicado ao trabalho não demorou para assumir a frente de importante empresa comercial de importações. Mais tarde voltou seu intuito para a indústria, havendo implantado em seu país de adoção, uma série de grandes estabelecimentos empresariais. Construiu pavilhões no Orfanato Sírio, em que se abrigava elevado número de órfãos, havendo ainda doado à referida instituição, casas para efeito de renda. Construiu um pavilhão no Sanatório Sírio de Campos do Jordão, considerado o mais moderno do País. Ajudou a construir a primeira Igreja Ortodoxa do Brasil, na Rua Cavaleiro Basílio Jafet, tendo posteriormente, contribuído para a edificação da Catedral Ortodoxa, em Vila Mariana. Em 1912, com a cooperação de seu sócio Nagib Salem, adquiriu terras, no Tatuapé. Ali construiu a atual Praça de esportes do Corinthians Paulista, mais conhecida por Parque São Jorge, que depois passou aos atuais proprietários. Edificou nesta área que atinge um milhão de metros quadrados, um verdadeiro bairro. Foi presidente de Honra do Clube Homs. Na Companhia Nacional de Aviação, doou um aparelho ao Aéro Club de Belo Horizonte. Possuía as Comendas da Ordem de Jerusalém, conferida pelo Patriarca de Antioquia e a Ordem do Mérito, do governo sírio, a mais alta comenda conferida pelas autoridades desse país. Faleceu em março do ano de 1950.
Nome anterior: RUA CERES
Nome oficializado pela Lei nº 5.234 de 21 de junho de 1957.
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
LEI nº 5.234
1957-06-21
Ato n° 1.772, de 22 de junho de 1922, denominou Rua Ceres.
