Sobre o logradouro
Distrito: Cambuci
Subprefeitura: Sé
Localização: Começa na Rua da Moóca e termina na Rua do Lavapés - Moóca e Cambuci.
História da rua
Esta rua começou a ser aberta em princípios de 1882 por contrato firmado entre a Câmara Municipal e o empreiteiro Alfredo Augusto Ferreira Braga. Em novembro de 1882, o empreiteiro afirmava que aquele serviço "em pouco tempo se dará concluído" e, no dia 18/12/1882, ele diria que os trabalhos estavam concluídos. No dia 27 de Agosto de 1884, os vereadores recebem um abaixo assinado pedindo que a rua aberta entre a Glória e a Mooca fosse denominada como "Luiz Gama". Aprovada a solicitação, esta rua passou a chamar-se desde então "Rua Luiz Gama". Em janeiro de 1933, pelo Ato nº 406, um pequeno trecho desta rua entre a Av. do Estado e a Rua da Mooca, foi considerado como parte integrante da Rua Carneiro Leão. Porém, um abaixo assinado dos moradores exigiu o retorno da antiga denominação e num interessante documento, explicaram eles que "doutro lado, é óbvio dizer, que a alteração assim como foi feita, causou dolorosa impressão nos ânimos dos proprietários e de todos os moradores do citado trecho, visto como infelizmente é notória a fama, que a rua Carneiro Leão vem gozando desde longo tempo." Tendo em vista esta reclamação, foi emitido o Ato 479 de 13/07/1933, fazendo constar que, em todo o trecho desde a Rua da Mooca e até a Rua do Lavapés, este logradouro teria o nome de "Rua Luiz Gama".
Luiz Gama: Luiz Gonzaga Pinto da Gama, um dos maiores líderes abolicionistas brasileiros, nasceu em Salvador a 21 de junho de 1830, filho da africana livre Luisa Mahin e de um fidalgo baiano de origem portuguesa. Em novembro de 1840 foi vendido como escravo por seu pai, sendo levado ao Rio de Janeiro e, posteriormente, para São Paulo. Aprendeu as primeiras letras e, tendo obtido sua liberdade, assentou praça em 1848 e serviu até 1854. Foi depois amanuense da Secretaria de Polícia (1856). Trabalhou intensamente a favor da libertação dos escravos; auxiliava nas alforrias e promovia processos em prol de pessoas livres e ilicitamente escravizadas. Por isso, foi demitido de seu emprego em 1868. Apesar de não obter diploma de bacharel, adquiriu grande conhecimento jurídico que o tornou um grande causídico. N a imprensa, participou da fundação do jornal humorístico "Diabo Coxo", tendo colaborado também no "Cabrião". Após sua exclusão do serviço público, foi aprendiz-tipógrafo do jornal "O Ipiranga", mais adiante, foi redator do "Radical Paulistano", onde foi colega de Castro Alves, Joquim Nabuco e Rui Barbosa. Redigiu ainda o periódico humorístico "O Polichinelo" em 1876. Liberal exaltado, continuou sua luta em favor da Abolição, mas não chegou a conhecer o fruto de seu incessante trabalho. Foi casado com Claudina Fortunata Sampaio e faleceu em São Paulo no dia 24 de agosto de 1882.
Observações históricas
Luís Gama (Salvador, Bahia, 1830 - São Paulo, São Paulo, 1882)
Advogado, jornalista e poeta, Luiz Gonzaga Pinto da Gama era filho de Luísa Mahin, ex-escrava de origem africana acusada de estar à frente da Revolta do Malês, levante de escravos de maioria muçulmana que ocorreu na Província da Bahia durante as primeiras décadas do século XIX, com um homem branco, um fidalgo de raízes portuguesas. Aos 10 anos de idade, foi vendido como escravo, pelo próprio pai, para pagar dívidas, mesmo tendo nascido livre. Foi levado como cativo para a cidade de Lorena, localizada no interior do estado de São Paulo. Depois de ter aprendido a ler e escrever através de aulas ministradas por um hóspede de seu proprietário, Luiz Gama fugiu para a capital paulista aos 18 de idade. Embora não possuindo formação acadêmica, se tornou orador e perito nas leis que protegiam os direitos dos negros, tendo assim conseguido libertar mais de 500 escravos até o ano de 1880.
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
ATO nº 972
1916-08-24
ATO nº 406 de 14/01/1933, denomina "Rua Carneiro Leão", trecho da "Rua Luiz Gama". ATO nº 479 de 13/07/1933, restabelece a denominação "Rua Luiz Gama". (processo nº 32.834/33) Decreto nº 15.635, de 17 de janeiro de 1979, ratifica o ATO 479/33.
