Sobre o logradouro
Bairro: V. Buarque
Distrito: Consolação
Subprefeitura: Sé
Localização: Começa na Praça da República e termina na Rua Martim Francisco.
História da rua
Na segunda metade do século XIX, o bairro de Vila Buarque era uma extensa área conhecida como “Chácara Rego Freitas”, pertencente ao Dr. Antonio Pinto do Rego Freitas (veja Rua Rego Freitas). Após o falecimento de Rego Freitas, ocorrido em 1886, seus herdeiros venderam a propriedade para a Empresa de Obras do Brasil, estabelecida no Rio de Janeiro, e que tinha como presidente o empresário Manuel Buarque de Macedo (ele filho do engenheiro e ministro de mesmo nome, Manuel Buarque de Macedo – veja Rua Buarque de Macedo). A escritura de venda foi lavrada no dia 17/06/1890 ao preço de 900:000$000 Réis. Essa mesma chácara, depois de regularizada e arruada, deu origem à Vila Buarque, nome este que homenageou o presidente da empresa loteadora. Em agosto do mesmo ano os lotes já estavam sendo vendidos. E dentre as várias ruas abertas no novo bairro, estava a Rua Marquês de Itu que, a princípio, começava na Praça da República e terminava na Rua Dona Veridiana. Em 1913 ela já estava estendida até a Rua Martim Francisco, trecho este aberto no loteamento da chácara de D. Veridiana da Silva Prado, em Higienópolis. Entretanto, e antes mesmo desta rua ser aberta, o Dr. Rego Freitas fizera a doação de uma área para a construção do novo hospital da Santa Casa de Misericórdia, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 1º de outubro de 1878, aproveitando-se a estadia em São Paulo do Imperador D. Pedro II. Quando do loteamento propriamente dito, a Rua Marquês de Itu seguiu o alinhamento dado ao hospital em uma de suas faces. O Marquês de Itu foi um dos maiores beneméritos do novo hospital, contribuindo com vultosas quantias em dinheiro e em ações de várias companhias. A isso se deve a homenagem com o seu nome nessa mesma rua.
Marquês de Itu: Antonio de Aguiar Barros, o marquês de Itu, nasceu em Itu, Estado de São Paulo, em 05 de dezembro de 1823, filho de Bento Pais de Barros (Barão de Itu) e de d. Leonarda de Aguiar. Casou-se com sua prima Antônia de Aguiar Barros, ela filha de Antônio Pais de Barros, barão de Piracicaba, e não teve filhos. Como estudante, veio para São Paulo e desde 1850 encontrava-se matriculado no Colégio Brasileiro, de João Carlos da Fonseca, onde cursava Latim, Francês e Inglês. Em 1856 frequentava o 4º ano na Faculdade de Direito de São Paulo, onde bacharelou-se. No ano seguinte estava de volta a Itu, onde possuía fazendas, sendo então nomeado Inspetor da Instrução Pública daquela cidade e, em 1861, já fazia parte do colégio eleitoral de Itu. Além de grande fazendeiro, o Marquês de Itu também militou na política como membro do Partido Liberal. Transferiu sua residência para São Paulo por volta de 1870, acompanhando o seu tio, Antonio Pais de Barros, o 1º Barão de Piracicaba, e outros membros da família. Foi deputado geral e vice-presidente da Província por duas vezes, de 31/01 a 05/021878 e de 04/04 a 18/08/1883. Muito estimado pelo povo, fazia questão de pagar as passagens de quantos se encontrassem nos veículos coletivos quando a estes usava e muito auxiliou as instituições de caridade, principalmente a Santa Casa de São Paulo. Segundo Eugênio Egas: "Sua inteligência era clara, seu caráter prudente e seu critério seguro". Era considerado monarquista de profunda convicção. Ao longo de sua vida foi agraciado com diversos títulos, a saber: através do Decreto de 01/02/1867, obteve o título de Oficial da Ordem da Rosa por ter libertado três escravos, ao mesmo tempo em que os oferecia para o engajamento no exército que seguia para a Guerra do Paraguai (Diário de São Paulo de 08/02/1867); por Decreto de 27/05/1868 recebeu o título de Comendador da Ordem da Rosa, novamente por ter oferecido voluntários, mas agora pagos, para a Guerra do Paraguai; por Decreto de 19/09/1880 foi agraciado com o título de Visconde de Itu, tendo em vista a doação de 40:000.000 Réis para a Santa Casa e a doação de um terreno no bairro do Braz para a construção de uma escola; um ano depois, em 1881, recebia o título de Conde de Itu e, no dia 07/05/1887, o de Marquês de Itu. Dentre as suas ações na sociedade paulistana, anotamos: foi um dos fundadores, em 1875, do Clube de Corridas Paulistano, mais tarde Jockey Clube de São Paulo; um dos fundadores da Sociedade Protetora da Infância desvalida (futuro instituto Ana Rosa) em 1875; em 1876 participou como um dos fundadores da Caixa Econômica de São Paulo, instalada no mesmo ano; era acionista da Cia. Ituana de Estradas de Ferro; em 1876 foi nomeado juiz de Paz de Santa Ifigênia e era síndico do Recolhimento de N. Dra. da Luz. Durante um curto período, na década de 1880, foi também vereador da Câmara Municipal de São Paulo. O Marquês de Itu faleceu em São Paulo no dia 30 de janeiro de 1889 e, em testamento, deixou uma pequena fortuna para a Santa Casa.
Em compromisso com a autenticidade das fontes fornecidas nos Históricos de Logradouros do Dicionário de Ruas, a Equipe do Núcleo de Memória Urbana informa: As fichas de denominação de logradouros são fichas produzidas desde a década de 1930 até o início dos anos 2010 pelo Arquivo Histórico Municipal, cujas fontes das informações ali registradas são, muitas vezes, desconhecidas.
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Observações históricas
Antonio Aguiar de Barros, o marquês de Itu, nasceu em Itu, Estado de São Paulo, em 05 de dezembro de 1823. Casou-se com sua prima Antônia de Aguiar Barros, filha de Antônio Pais de Barros, barão de Piracicaba. Grande fazendeiro ingressou na política: foi deputado geral e vice-presidente da Província por duas vezes, de 31 de janeiro a 05 de fevereiro de 1878 e de 04 de abril a 18 de agosto de 1883. Pertencendo ao Partido Liberal gozava de estima popular e fazia questão de pagar as passagens de quantos se encontrassem nos veículos coletivos quando a estes usava e auxiliava veladamente as instituições de caridade, principalmente a Santa Casa de São Paulo. Segundo Eugênio Egas: "Sua inteligência era clara, seu caráter prudente e seu critério seguro". Era considerado monarquista da profunda convicção. Foi agraciado com título nobiliárquico. Faleceu em São Paulo em 20 de janeiro de 1889.
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
ATO nº 972
1916-08-24
