← Dicionário de Ruas

Rua Pio XI

Conheça a história deste logradouro de São Paulo.

Sobre o logradouro

Nome anterior: Rua Cole Latino, Rua "R" e trecho da Rua Inhatium

Distrito: Lapa

Subprefeitura: Lapa

Localização: Começa na Rua Tomé de Souza e termina na Avenida Diógenes Ribeiro de Lima

História da rua

Rua Pio XI

Esta rua começou a ser aberta em 1888 pelo engenheiro e empresário italiano Luiz Bianchi Betholdi que, em 1887, havia adquirido uma extensa área de Antonio Xavier Borba então chamada de “Campos da Pedreira” ou “do Mandi”. Nessa área, Betholdi deu início ao loteamento que chamou de Vila Romana, numa referência ao seu país de origem. Ao mesmo tempo, as ruas também receberam denominações que faziam menção à civilização romana e, dentre elas, estava a atual Pio XI que, inicialmente, recebeu o nome de Rua Colle Latino, que significa Colina, certamente uma referência às sete colinas onde a cidade de Roma foi fundada. Inicialmente contava com poucos quarteirões, mas a partir da década de 1920 ela foi, aos poucos sendo estendida até o cruzamento com a Av. Cerro Corá. Uma dessas extensões, por exemplo, foi oficializada através do Ato nº 2.280 de 14/01/1921, no trecho entre as ruas Tomé de Souza e Visconde de Indaiatuba. A alteração da Rua Colle Latino para Rua Pio XI ocorreu em 1948 a partir do Projeto de Lei nº 94, apresentado pelo então vereador Ermano Marchetti na sessão da Câmara Municipal do dia 09/04/1948. Na sua justificativa, e para além de homenagear o Papa Pio XI, o vereador lembrou que na então Rua Colle Latino estava instalado, desde 1936, o Instituto Teológico Pio XI. Nos debates que se seguiram, o vereador Valério Giuli ponderou: “Eu me associo a V. Excia. na homenagem que deseja prestar a Pio XI, como grande pontífice que foi. Mas, por que mudar o nome de uma rua oficial?” Nesse momento, Ermano Marchetii declarou: “Porque esse nome não significa nada. O nome atual, Colle Latino, nada significa; é uma palavra latina que se traduz por colina. Rua Colina Latina. É, bem vedes Srs. Vereadores, um nome estranho ao falar comum e simples do povo.” Colocado em discussão, o projeto foi aprovado, dando origem à Lei nº 3.689 de 12 de maio de 1948. Poucos meses depois, exatamente no dia 19/09/1948, uma grande cerimônia foi preparada para a inauguração da nova denominação, que foi assim descrita pelo Jornal de Notícias na sua edição do dia 22/09/1948: “Inauguração da rua Pio XI, Lapa – Há tempos a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a Resolução de autoria do vereador Ermano Marchetti, que mudava o nome da rua Cole Latino para Pio XI, como uma justa homenagem ao grande e imortal Pontífice. Dia 19, às 16,30 horas, à entrada do Instituto Salesiano, foi oficialmente inaugurada a placa de bronze, estando presentes os srs. prof. Milton Improta, prefeito interino da Capital; Adriano Marrey Junior, presidente da Câmara Municipal; vereador Ermano Marchetti, padre Walter Schewiora, vigário de Vila Ipojuca, cônego Marcelo Franco, pároco da Lapa; além de numerosa assistência. Inicialmente, falou o padre Antonio Barbosa, diretor do Instituto Teológico Pio XI, saudando as autoridades presentes. A seguir, o vereador Ermano Marchetti proferiu uma alocução alusiva ao ato. Após, o sr. Marrey Junior, depois de realizar o significado daquela solenidade, fez uma rápida síntese das realizações do papa Pio XI. Finalmente, o prefeito Milton Improta descobriu, sob calorosa salva de palmas, a placa de bronze, dando por inaugurada a rua Pio XI. A cerimônia foi abrilhantada pela banda do Educandário Dom Duarte.”

Ambrogio Damiano Achille Ratti, que se tornou papa como Pio XI, nasceu em Desio (Milão), no dia 31 de maio 1857, filho de Francesco Ratti e Teresa Galli. Estudou no Seminário de Milão e depois na Universidade Gregoriana, onde completou seu doutorado em Teologia. Depois de alguns anos na liderança de uma paróquia, foi chamado para trabalhar na Livraria Ambrosiana em Milão. Sua reputação era conhecida por todos e não tardou para o Papa Pio X fazer dele seu assistente pessoal e, mais tarde, chefe da grande biblioteca do Vaticano. Em 1918, Bento XV enviou Ratti a servir como visitante e depois como núncio na Polônia. Foi uma época de conflito onde ele presenciou a invasão e derrota do exército vermelho soviético em Varsóvia. 
Em 1921, Bento nomeou Ratti cardeal e arcebispo de Milão. Passados alguns meses, Bento estava morto e Ratti o sucedeu, escolhendo o nome de Pio XI. No seu pontificado, Pio XI enfrentou um mundo pós-guerra, um mundo ameaçado e tentado por correntes políticas antagônicas. Longe de se abater, Ratti resolveu trabalhar duramente contra os males daquele tempo. Para lembrar ao mundo material da primazia do espírito, Pio XI estabeleceu as comemorações de Cristo Rei. Em trinta encíclicas ele lançou luz sobre as dificuldades do cotidiano, abordando temas como educação, casamento e, sobretudo, a questão social. Ele sofreu com a situação das crianças no México, Rússia, Espanha e Alemanha. Mas ele nunca desistira. Antes de morrer, em 10 de fevereiro de 1939, Pio XI ofereceu sua vida pela paz no mundo.

 

 

Observações históricas

Pio XI - Papa de 1922 a 1939. Nasceu Achille Ratti na cidade de Desio, Itália, no ano de 1857, filho de um diretor de indústria de seda. Estudou em Milão e em Roma, bacharelando-se em Filosofia, Teologia e Direito Canônico pela Universidade Gregoriana. Ordenou-se sacerdote sacerdote no dia 20 de dezembro de 1879. Realizou ainda estudos na Universidade de Oxford e lecionou no Seminário Maior de Milão. Em 1888 foi eleito membro do colégio dos Doutores; foi prefeito da Biblioteca Ambrosiana; vice-prefeito da Biblioteca Vaticana. Em 1919 foi nomeado Núncio Apostólico na Polônia e arcebispo titular de Lepanto. Em 1921 foi nomeado arcebispo de Milão e, no mesmo ano, foi eleito cardeal. Eleito Papa em 1922, desenvolveu notável ação religiosa, social e política. Seu pontificado foi perturbado pelas agitações que se desenvolveram no período entre-guerras. Assinou, em 1929, com Mussolini, o tratado de Latrão, que colocou um fim nas querelas da Questão Romana. Em 1931 publicou a encíclica "Quadragésimo Anno", que ampliava os princípios sociais da "Rerum Novarum", de Leaõ XIII. Foi sempre um adversário do ferrenho do comunismo. A sua política em relação ao governo fascista italiano foi sempre pacifista mas, quando Mussolini instaurou a campanha contra os judeus, reagiu veementemente. Condenou todas as teorias racistas declarando-as inimigas do cristianismo. Canonizou grande número de santos e, em 1928, consagrou o mundo ao Coração de Jesus. Deixou escritas mais de vinte encíclicas e é considerado como um dos maiores Papas dos tempos modernos. Faleceu no Vaticano no dia 10 de fevereiro de 1939.

Logradouro oficializado e denominado através do ATO Nº 972 de 24 de agosto de 1916.
Outras legislações: ATO Nº 2280/24, Lei nº 3.689/48, Decreto nº 2.728/54, Decreto nº 5.581/63, Decreto nº 15.635/79.
Nomes anteriores do logradouro: Rua Cole Latino, Rua R, Rua Inhatium.

Localização no mapa

Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.

Legislação

ATO nº 972

1916-08-24

Ato nº 2280 de 1924 Lei nº 3689 de 12/05/1948 Decreto nº 2728 de 03/11/1954 (antiga Rua Cole Latina) Decreto nº 5581 de 19/02/1963 (trecho Rua Inhatium ) Decreto nº 15635 de 17/01/1979.

← Voltar ao Dicionário de Ruas