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Rua Vanderlei

Conheça a história deste logradouro de São Paulo.

Sobre o logradouro

Nome anterior: Rua 12 e Rua Wanderley

Distrito: Perdizes

Subprefeitura: Lapa

Localização: Começa na Rua Heitor de Morais e termina na Rua Coronel Melo de Oliveira

História da rua

Esta denominação é uma homenagem ao pernambucano Joaquim Floriano Wanderley, proprietário da grande chácara do Pacaembu de Cima e que, após seu desmembramento, deu origem aos bairros de Higienópolis, Pacaembu, Perdizes e parte do Sumaré. Joaquim Floriano Wanderley nasceu na antiga Freguesia do Una, em Pernambuco, no dia 24/10/1821, filho de Joaquim Mauricio Wanderley e de d. Rosa Cândida Vaz Salgado, da tradicional família Wanderley de Pernambuco, composta por senhores de engenho e políticos. Pouco se sabe sobre sua infância e juventude, mas em 1846, quando contava com 25 anos, estava residindo no Rio de Janeiro. Dois anos depois, em 1848, ele se encontrava no interior de São Paulo, trabalhando como escrivão da Real Fábrica de Ferro de São João do Ipanema, que na época localizava-se na antiga Vila de Sorocaba, e hoje no município de Iperó. Ali ele permaneceu até o dia 14/04/1848, quando foi dispensado. Ao que tudo indica ele permaneceu por algum tempo em Sorocaba, pois o seu casamento com d. Mariana Isabel de França foi realizado naquela localidade, na matriz de Nossa Sra. da Ponte, no dia 03/08/1849. Posteriormente veio para São Paulo e desde 1855 ele consta como proprietário da grande chácara chamada do “Pacaembu de Cima”, onde mantinha uma olaria para a fabricação de telhas e tijolos. A partir desse momento a propriedade passou a ser conhecida também como “Chácara Wanderley” e “Sítio Wanderley” e tinha como limites a antiga estrada dos Pinheiros (atual Rua da Consolação), a estrada do Araçá (hoje Avenida Doutor Arnaldo) e córrego Água Branca, em Perdizes. Da imensa propriedade, uma pequena parte foi vendida à municipalidade para a construção do cemitério da Consolação que foi inaugurado em 1858. Anos depois, outra parte de suas terras foram desapropriadas para aumentar a área do mesmo cemitério. Wanderley não teve filhos e sua esposa Mariana Isabel de França faleceu no dia 13/01/1865, aos 48 anos de idade. Wanderley possuía uma grande fortuna e, em 1872, tentou a carreira política candidatando-se ao cargo de vereador, mas não foi eleito, permanecendo como suplente. Quando de seu falecimento em decorrência de febre tifoide, no dia 14/03/1892, o seu testamento foi aberto e algumas de suas determinações chamaram a atenção tendo em vista os altos valores que destinou aos parentes e às instituições da cidade:

“À sua irmã Ema, viúva do capitão Santiago, 8 contos de réis; ao sobrinho Antonio, 6 contos; à sobrinha Maria Emília, viúva do professor Ferreira, 8 contos; ao sobrinho Gercino, 12 contos; à sobrinha Levila, 6 contos; ao seu irmão, o major Wanderley, 6 contos; às sobrinhas Olímpia e Izabel, 5 contos cada uma; às sobrinhas Felipa e Maria Emilia, 4 contos a cada uma; ao seu neto por afinidade João Batista de Souza Arantes e à sua neta também por afinidade Deolinda Arantes de Souza Leite, viscondessa de Socorro, 10 contos a cada um; à sua comadre Maria Rosa de Souza Freire, residente em Amparo, 12 contos; a Eustaquio Manlio (de Dascio ou Dedacia) 25 contos; ao tutelado João Atico, 25 contos; aos tutelados deste, Teófila e Odon, 25 contos a cada um; à sua protegida Idalina Maria da Glória, 10 contos; à menina Maria, filha de Idalina, 4 contos; à Santa de Misericórdia, 10 contos; às igrejas de São Gonçalo 4 contos, da Consolação 1 conto, da Penha 1 conto, de Bom Jesus de Pirapora 1 conto; ao testamenteiro, 4 contos; do remanescente de seus bens institui seus únicos e universais herdeiros o Asilo de Meninas Órfãs e Desamparadas estabelecido pelo dr. José Vicente de Azevedo nos arredores do Ipiranga e ao Colégio de São Miguel, fundado pelo padre José Bento de Andrade, no município de Jacareí.”

Alguns meses depois da abertura do testamento, mais exatamente em agosto de 1892, os herdeiros – através do Juízo da Provedoria, anunciava o leilão da Chácara do Pacaembu cuja descrição impressiona pela sua grandiosidade.

“No dia 29 do corrente [agosto], ao meio dia, à travessa da Sé n. 2, será levada à praça uma área de terreno, coberta de mata virgem, situada no Pacaembu de cima, freguesia da Consolação desta cidade, no lugar denominado Araçá, com madeiras de lei, com um milhão, quatrocentos e quarenta mil metros quadrados mais ou menos, cuja área faz parte da chácara Wanderley que confronta com o Conselheiro Ramalho, João Pedro Rachel, com a estrada do Araçá, com Escolástica Honorata, Tereza Fernandes de Jesus, com terrenos devolutos e com a rua denominada Pacaembu [atual av. Higienópolis], pertencente ao espólio do finado Joaquim Floriano Wanderley, pela quantia de 648:000$000 (...) S. Paulo 25 de julho de 1892”.

Parte da chácara seria adquirida pela prefeitura para ali se fundar o Cemitério do Araçá, inaugurado em 1897. Ao mesmo tempo, outra gleba foi adquirida por Martinho Burchard para a abertura do bairro de Higienópolis.   

Os herdeiros, entretanto, não concordaram com o legado deixado por Wandeley ao Asilo de Meninas Órfãs Desamparadas (Internato Nossa Senhora Auxiliadora, no Ipiranga) e tão pouco ao Colégio São Miguel de Jacareí. Na justiça, eles conseguiram anular esta parte do testamento em dezembro de 1899.

Apesar de ter sido oficializada apenas 1922, a Rua Wanderley já se encontrava projetada no ano de 1897 e, pelo menos desde 1911, estava entregue ao trânsito público no trecho entre a Rua Cardoso de Almeida e a atual Avenida Sumaré, onde terminava.

Para este logradouro encontramos ainda a seguinte documentação: Processo nº 99.684/1936 (atual 2001-0.100.743-0) que registrou o trecho entre as ruas Ministro Godoy e Caetés; nº 65.043/1938 que registrou o trecho entre as ruas Diana e Caraíbas; 54.136/1939 para o trecho entre as ruas Campevas e Iperoig; 15.627/1942 para o trecho entre as ruas Caetés e Campevas; 74.012/1942, para o trecho entre a rua Itapema e além 90 metros da rua Boituva; 42.224/1944, para o trecho entre as ruas Iperoig e Apiacás; 44.013/1947, para o trecho entre as ruas Apinagés e Apiacás – o que demonstra a expansão da Rua Wanderley entre as décadas de 1930 e 1940.

 

 

Observações históricas

A denominação desta rua é em homenagem ao pernambucano Joaquim Floriano Wanderley. As mais antigas referências sobre este personagem aparecem nas Atas da Câmara Municipal de São Paulo datadas da primeira metade do século XIX. Ele possuía uma propriedade, que tinha sido doada por Martim Afonso de Souza aos jesuítas, na antiga sesmaria do Pacaembu, correspondentes aos atuais bairros do Pacaembu, Sumaré e parte de Higienópolis. Esta propriedade era chamada de "Chácara do Pacaembu de Cima" e também de Sítio Wanderley ou Chácara Wanderley. A antiga sesmaria tinha os seus limites no caminho dos Pinheiros (atual Rua da Consolação), Emboaçaba (estrada do Araçá, depois Avenida Municipal, atual Avenida Doutor Arnaldo) e córrego Água Branca (Perdizes). Joaquim Floriano Wanderley vendeu parte de sua imensa propriedade à municipalidade para a construção do Cemitério da Consolação que foi inaugurado em 1858. Anos depois, outra parte de suas terras foram desapropriadas para aumentar a área do mesmo cemitério. Com a morte do Padre Wanderley em março de 1892, por febre tifoide, procedeu-se a abertura do inventário e seus herdeiros venderam outra parte das terras localizadas entre o Araçá e o Pacaembu para que a Prefeitura construísse o Cemitério do Araçá. Apesar de ter sido oficializada apenas 1922, a Rua Wanderley já se encontrava projetada no ano de 1897 e, pelo menos desde 1911, ela estava entregue ao trânsito público no trecho entre a Rua Cardoso de Almeida e a atual Avenida Sumaré, onde terminava.

Para este logradouro encontramos ainda a seguinte documentação: Processo nº 99.684/1936 (atual 2001-0.100.743-0) que registrou o trecho entre as ruas Ministro Godoy e Caetés; nº 65.043/1938 que registrou o trecho entre as ruas Diana e Caraíbas; 54.136/1939 idem para o trecho entre as ruas Campevas e Iperoig; 15.627/1942 idem para o trecho entre as ruas Caetés e Campevas; 74.012/1942, idem para o trecho entre a rua Itapema e além 90 metros da rua Boituva; 42.224/1944, idem para o trecho entre as ruas Iperoig e Apiacás; 44.013/1947, idem para o trecho entre as ruas Apinagés e Apiacás. Em outras palavras, esta foi a expansão (ou crescimento) da Rua Wanderley entre as décadas de 1930 e 1940

Logradouro oficializado através do Ato nº 1869, de 6 de novembro de 1922.
O Decreto-Lei nº 280, de 22 de março de 1945, trata da sua extensão.
O Decreto nº 15.635, de 17 de janeiro de 1979, oficialização Rua Vanderlei.

Localização no mapa

Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.

Legislação

ATO nº 1.869

1922-11-06

O Decreto-Lei nº 280, de 22 de março de 1945, trata da sua extensão. O Decreto 15.635, de 17 de janeiro de 1979 que institui a lista de denominações oficiais do município confirmou esta denominação com atualização da grafia (Rua Vanderlei). Processo nº 99.684/1936 (atual 2001-0.100.743-0) registra o trecho entre as ruas Ministro Godoy e Caetés. Proc. 65.043/1938 - registra o trceho entre as ruas Diana e Caraíbas Proc. 54.136/1939 - registra o trecho entre as ruas Campevas e Iperoig Proc. 15.627/1942 - registra o trecho entre as ruas Caetés e Campevas Proc. 74.012/1942 - registra o trecho entre a rua Itapema e além 90 mts. Da rua Boituva. Proc. 42.224/1944 - registra o trecho entre as ruas Iperoig e Apiacás Proc. 44.013/1947 - registra o trecho entre as ruas Apinagés e Apiacás.

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