Sobre o logradouro
Nome anterior: Estrada do Vergueiro
Distrito: Liberdade
Subprefeitura: Sé
Localização: Começa na Rua São Joaquim e termina na marginal da rodovia Anchieta.
História da rua
Com mais de 9 km de extensão, entre a Rua São Joaquim na Liberdade e até às margens da Rodovia Anchieta, na Vila Vera, a Rua Vergueiro é uma das mais extensas de São Paulo. Essa característica é explicada pela sua origem, pois a princípio esta via era uma estrada que fazia a ligação da Capital com a antiga “Estrada da Maioridade”, também conhecida como estrada do Mar ou estrada de Santos. Até a década de 1850, a antiga estrada de Santos possuía outro trajeto, pois tinha início na Rua da Glória e depois seguia pelo Lavapés até atingir o Ipiranga e daí por diante buscava o rumo do litoral em Santos. Entretanto, no ano de 1862, e em decorrência dos desmoronamentos ocorridos na Serra do Mar em 1861, o governo da Província firmou contrato com o empresário José Pereira de Campos Vergueiro, filho do senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Aproveitando a oportunidade, Vergueiro decidiu estudar o trecho mais próximo da cidade e verificou que melhor seria projetar outro traçado, já que as cheias do Tamanduateí por vezes se colocavam como um obstáculo aos viajantes. Assim, e ao invés de seguir pelo Lavapés, ele resolveu tangenciar o rio e buscou outro caminho que, da cidade, seguia o rumo da atual Vila Mariana para, mais adiante, encontrar a estrada do Mar. Para isso ele aproveitou algumas vias já abertas como o antigo “Caminho do Carro” para Santo Amaro, hoje trecho inicial da Rua Vergueiro entre a Liberdade e Vila Mariana. Em 1863, e por conta dos melhoramentos realizados, a nova via passou a ser chamada de “Estrada Vergueiro”, numa referência ao mesmo empresário José Pereira de Campos Vergueiro, seu construtor. Poucos anos depois, mais especificamente em 1868, o seu nome já estava consolidado, ocasião em que o logradouro passou a ser conhecido como “Rua Vergueiro” conforme referencia um anúncio publicado no jornal Diário de São Paulo de 09/10/1868. Entretanto, a partir de 1885 – e por razões ainda desconhecidas, alguns órgãos de imprensa começam a vincular notícias e anúncios onde o nome da rua aparece alterado para “Rua do Senador Vergueiro” (Correio Paulistano de 20/03/1885 e O Estado de São Paulo de 19/02/1886 e também de 05/05/1897). Neste caso, o homenageado era o senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Uma hipótese para esta alteração seria a existência, no Rio de Janeiro, da Rua Senador Vergueiro, considerada na época como uma das mais elegantes da cidade, bem como em outras cidades a exemplo de Limeira e Santos, onde havia o Largo Senador Vergueiro. Porém, no caso de São Paulo, a homenagem não era ao senador e sim ao seu filho José Vergueiro. Nos registros oficiais da Câmara Municipal e da Prefeitura, por sua vez, o logradouro foi sempre tratado como “Rua Vergueiro”, exceto por um breve momento em 1911, quando o mesmo aparece como “Rua Senador Vergueiro”, retornando depois como “Rua Vergueiro”. Nos mapas oficiais da cidade, por seu turno, e desde 1890, a mesma foi sempre tratada como “Rua Vergueiro”. Nesse sentido, a conclusão até o presente momento é que a Rua Vergueiro foi assim denominada em referência ao construtor da antiga estrada, o empresário José Pereira de Campos Vergueiro e não ao seu pai, o senador Vergueiro.
José Pereira de Campos Vergueiro – era filho do grande Nicolau Vergueiro, o iniciador da imigração na Província de S. Paulo, fundador das primeiras colônias de trabalhadores brancos, europeus e livres, e primeiro socializador das terras do Brasil (desde 1824) após a Independência. José Vergueiro foi vereador e presidente da Câmara de Santos, em 1839, logo após a elevação da vila a Cidade, e fez parte da mesma Câmara em diversas outras legislaturas, como em 1840, 1841 e em 1849. Em 1841, representou a cidade de Santos nas cerimônias da Coroação do Imperador D. Pedro II, muitas vezes concorreu com dinheiro próprio em favor de inúmeras iniciativas santistas e de todas as suas instituições.
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Observações históricas
O homenageado, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro nasceu em Bragança, Portugal no dia 20 de dezembro de 1778. Bacharel em leis pela Universidade de Coimbra, tomou o Brasil como pátria adotiva estabelecendo-se em São Paulo com banca de advogado. Foi também fazendeiro e introduziu o trabalho livre do colono europeu pelo sistema de parceria. Representou a província de São Paulo nas Cortes portuguesas em 1822, na Constituinte brasileira em 1823 e na primeira legislatura. Em 1828 foi eleito senador por Minas Gerais. Ocupou as pastas do Império, da Justiça e Fazenda. Foi membro da regência provisória que se seguiu à abdicação de D.Pedro I, diretor do Curso de Direito de São Paulo de 1837 a 1842, um dos primeiros membros do governo paulista. Lutou pela Independência como bom brasileiro. Como membro da comissão política brasileira, dado o seu voto em separado, gesto que produziu enorme escândalo, foi considerado o fator mais enérgico da emancipação política do Brasil. Sua ação agravou-se com a recusa de assinar a constituição portuguesa. Acusado como um dos promotores da revolução de 1842, o Senado julgou a acusação improcedente. Era do Conselho do Imperador, Grã - Cruz da Ordem do Cruzeiro e membro do Instituto Histórico. Escreveu: "Memória Histórica", sobre a fundação da fábrica de ferro de Ipanema, em 1822, e "Resposta" dada ao Senado sobre a pronuncia contra ele proferida pelo Chefe de Polícia de São Paulo, J.A.G. de Menezes, no processo da revolta de 17 de maio de 1842, dada a lume no ano seguinte. Faleceu no Rio de Janeiro em 18 de setembro de 1859.
Logradouro oficializado através do ATO nº 972, de 24 de agosto de 1916.
O decreto nº 5.445, de 30 de agosto de 1962, trata da extensão do logradouro.
Localização no mapa
Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.
Legislação
ATO nº 972
1916-08-24
Ver Decreto 5.445 de 30/08/1962.
