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Travessa Ana Roiz

Conheça a história deste logradouro de São Paulo.

Sobre o logradouro

Nome anterior: Viela "2"

Bairro: V. Nhocuné

Distrito: Artur Alvim

Subprefeitura: Penha

Localização: Começa na rua Engenheiro Ferreira, entre as ruas José Francisco Lopes e Silva Lisboa e termina na rua Moisés Justino, situado no distrito de Arthur Alvim, Subprefeitura da Penha.

História da rua

Cristã-nova, a portuguesa Ana Rodriguez ou Ana Roiz (como era conhecida) chegou à Bahia em 1557, com o marido, Heitor Antunes, vários filhos e alguns parentes, na mesma nau que trouxe Mem de Sá para assumir o governo geral do Brasil. Citado por Mem de Sá em relatório enviado ao rei D. Sebastião, em 1572, Heitor Antunes parecia desfrutar da confiança do governador, apesar de ser cristão-novo. Senhor de terras e de engenho em Matoim, era ainda responsável pela coleta do imposto do açúcar. A família Antunes foi uma dentre os inúmeros grupos de cristãos-novos que vieram tentar a vida no Brasil nos primeiros tempos da colonização. Eles vieram em busca de riqueza e certamente para escapar da Inquisição recém-instalada em Portugal. Heitor Antunes já era morto na época da primeira visitação do Santo Ofício ao Brasil (1591-1595), o que não impediu que várias pessoas o acusassem de ser verdadeiro rabino e de ser o engenho de Matoìm uma espécie de sinagoga. ou esnoga, como se dizia ã época. Embora praticamente toda a extensa família Antunes tenha sido denunciada e tenha prestado depoimento ao visitador, a mais acusada foi a matriarca Ana Rodrigues. Octogenária em 1591, Ana pertencera á primeira geração de convertidos à força por D. Manuel em 1497. e por certo aprendera desde criança os ritos judaicos que repetira por décadas na Bahia. Acusada de participar de cerimônias judaicas, de guardar o sábado, de fazer orações judaicas, de seguir as interdições alimentares e os ritos funerários do judaísmo, Ana Rodrigues, algumas de suas filhas e sobrinhas foram apontadas como judaizantes pelos próprios genros, netos e vizinhos. O caso de Ana Rodrigues revela bem o caráter deletério da ação inquisitorial, pois suas filhas e netas eram casadas com cristãos-velhos que durante anos freqüentaram a casa dos Antunes sem discriminá-los por suas práticas religiosas. A chegada do visitador fez com que todos procurassem livrar-se das acusações, confessando suas culpas e concentrando as denúncias sobre a matriarca. Diante do visitador, a velha Ana admitiu certos erros judaizantes, mas alegou que os cometera sem má-fé. Suspeita de ser judaizante, Ana Rodrigues foi julgada em Lisboa, para onde foi enviada em 1593. Aos 80 anos, voltou a Portugal enjaulada e não chegou a ouvir a sentença que a condenou à fogueira. Morreu no cárcere no mesmo ano de 1593 e em 1604 foi queimada em efígie, sua memória amaldiçoada, seus ossos desenterrados e queimados. Seu retrato atravessou o Atlântico e foi afixado na igreja de Matoim, para conservar viva a infâmia da condenação inquisitorial.
Nome anterior: Viela 2
Decreto nº 47.889 de 13/11/2006
Processo Administrativo nº 2006-0.213.411-7

Localização no mapa

Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.

Legislação

DECRETO nº 47.889

2006-11-13

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