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Viaduto Therezinha Zerbini

Conheça a história deste logradouro de São Paulo.

Sobre o logradouro

Nome anterior: Viaduto 31 de Março

Distrito: Sé

Subprefeitura: Sé

Localização: Situado sobre o canal do Rio Tamanduateí, com duas alças de acesso, sendo uma com início na Rua Frederico Alvarenga e outra com início na Avenida Pref. Passos e término nas ruas da Figueira e Azevedo Júnior.

História da rua

Therezinha Zerbini era casada com o General Euryale de Jesus Zerbini, um dos quatro generais que defenderam o governo de João Goulart contra os militares golpistas, pelo que teve seus direitos políticos cassados e foi afastado da carreira, vindo a falecer em 1982, antes da anistia. Na época dona de casa, Therezinha Zerbini não se intimidou com a penalidade imposta ao marido, atuando destemidamente em favor dos opositores da ditadura. Nesse sentido, marcante foi o seu auxílio a Frei Tito, no ano de 1968, quando intercedeu para que um sítio em Ibiúna, pertencente a um amigo da família Zerbini, fosse cedido para a realização de um congresso da União Nacional dos Estudantes - UNE, organização proscrita pelo regime. Em razão disso, respondeu a inquérito policial militar, foi indiciada, enquadrada na Lei de Segurança Nacional e presa em sua casa no dia 11 de fevereiro de 1970. Ficou na prisão por oito meses, seis dos quais no presídio Tiradentes, em São Paulo. Em 1975, Therezinha fundou o Movimento Feminino pela Anista (MFPA), que lutou pela redemocratização do Brasil. Lançou o manifesto em favor da anistia ampla e geral, obtendo 16.000 assinaturas de apoio. Empenhou-se nas denúncias sobre a existência de presos, torturados e perseguidos políticos no Brasil, fato que por muito tempo foi negado pelo governo militar. Durante a visita do então presidente norte-americano Jimmy Cárter a Brasília, em março de 1978, Therezinha Zerbini conseguiu driblar a segurança e entregar uma carta à primeira dama, Rosalynn Cárter, em nome das mulheres brasileiras e do MFPA. A carta, sem fazer referências diretas ao regime, dizia, na abertura: "Nós, que lutamos por justiça e paz..." No ano de 2008, em sessão especial ao Dia Internacional da Mulher no Congresso Nacional, Therezinha recebeu o prêmio Bertha Lutz (pioneira na luta pelo voto feminino) das mãos de Dilma Roussef, então Ministra-Chefe da Casa Civil. Por conseguinte, encontra-se plenamente justificada a homenagem que ora se propõe seja rendida a essa ilustre figura da recente história do Brasil. Finalmente, cumpre registrar que, com a presente homenagem, pretende-se retirar, do viaduto em referência, a alusão à data "31 de Março" de 1964, considerada como marco do golpe que deu início à ditadura militar. De se dizer que a medida afina-se com as ações governamentais brasileiras implementadas a partir da aprovação, por meio do Decreto Federal nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, do Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3, o qual, em seu Eixo Orientador VI, estabelece diversas diretrizes relativas à promoção do direito à memória e à verdade, fortalecendo a democracia, o que por certo inclui, no caso dos espaços públicos, a remoção de referências a fatos, datas, pessoas, etc. relacionadas a graves violações dos direitos humanos, em concordância com o Programa Ruas de Memória, previsto no Decreto Municipal nº 57.146/2016, que prevê a mudança progressiva na denominação de logradouros que homenageiam pessoas, datas ou fatos associados a graves violações aos direitos humanos.

Nome anterior: Viaduto 31 de março

As justificativas para esta denominação, estão estampadas no Decreto nº 8.571, de 16 de dezembro de 1969 e refletem a ideologia de ocupantes de cargos do Executivo no período do Regime Militar. Neste caso, as considerações são do prefeito na ocasião, Paulo Salim Maluf, conforme segue: "Considerando que a data de 31 de Março de 1964 é o marco histórico do maior movimento idealista e patriótico do Brasil; considerando que a mulher brasileira, as fôrças armadas e a maioria absoluta do povo, irmanaram-se para livrar o País da subversão e corrupção; considerando que 31 de Março, dentre os inúmeros acontecimentos gloriosos do passado, simboliza o mais belo movimento cívico para a redenção da família brasileira". Da placa deverão constar os seguintes dizeres: "VIADUTO 31 DE MARÇO - DATA DA GLORIOSA REVOLUÇÃO 1964".

Localização no mapa

Localização pesquisada pelo nome do logradouro. O resultado pode não representar toda a extensão da via.

Legislação

LEI nº 16.846

2018-02-09

Projeto de Lei nº 196/17, da vereadora Adriana Ramalho. O Decreto nº 15.635, de 17 de janeiro de 1979 que institui a lista de denominações oficiais do município confirmou esta denominação com atualização da grafia.

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